segunda-feira, 27 de junho de 2011

Nova versão da Palestra on-line da Jornada do Herói!

O grande amigo Edegar Ferreira fez para mim uma nova e melhorada versão da Palestra On-Line sobre o treinamento A Jornada do Herói, que será ministrado em Niterói nos dias 9 e 16 de julho.

Para ver a nova e melhorada versão da palestra clique AQUI.
Ou aqui: http://www.megavideo.com/?v=MJ1MYHZQ

Para fazer sua inscrição no treinamento criado e patenteado pelo Instituto ATENA, escreva para contato@institutoatena.com


Bem vindo à Jornada!

Entre Ulisses e Aladim, os primeiros passos da Jornada

Imagem da Educação Iniciática
Primeira fase da Jornada do Herói
"Então Al-Adim recebeu as instruções do homem que se apresentou como seu tio distante, para que entrasse na caverna sob as areias do deserto e, sem tocar em nenhuma das pedras preciosas e jóias em ouro puro e madrepérola, passasse direto pelas árvores de esmeraldas cujas maçãs eram rubis e pegasse apenas a lâmpada de dourado fosco e empoeirada, no fim dos jardins de diamantes..."

"Então Ulisses - disfarçado por Atená na forma de um mengido - segurou o calcanhar de seu filho Telêmaco, e disse-lhe 'Ainda não, não aqui, nem agora, mas breve', e o ódio que aquecia suas veias contra os invasores de seu reino e perturbava-lhe o raciocínio deu lugar a um caudaloso rio que já não mais se apressava, pois sabia que o mar estava próximo..."

Treinamento e foco
Todo e qualquer comportamento em nossa vida foi antes de alguma forma "treinado", até o mais comum dos atos, o andar, ou a mais "natural" das nossas ações como o pensar ou o falar foram arduamente incentivados e treinados, do nada à maestria. Quem tem contato com crianças sabe bem disso. O que tomamos por natural nada mais é do que uma habilidade treinada à exaustão, até que realmente se torne 'natural', parte constituinte de nossa natureza e identidade.

A primeira parte do treinamento da Jornada do Herói constitui exatamente essa parte chamada por Joseph Campbell de "Educação Iniciática". Os aprendizados necessários para seguirmos viagem rumo não só de nossas metas, mas ao melhor de nós mesmos. O primeiro aprendizado, exposto na primeira citação da história de Aladim, nos fala sobre a noção de foco e do quanto podemos nos perder com as mil e uma "pedras brilhantes" no caminho, quando não sabemos exatamente o que queremos, exatamente em direção a que estamos nos movendo.

A lanterna no final do jardim de rubis
O início da jornada compreende justamente uma estruturação de uma meta. Partimos do pressuposto básico de que um treinamento, seja ele de qual ordem for, deve ter uma meta, um ponto de referência final para que saibamos em que estamos interessados, qual a razão de enveredarmos por aquele caminho, aprendermos aquelas técnicas e ouvirmos aquelas histórias. Para tudo na vida há que termos uma finalidade, então a primeira coisa dentro do treinamento da Jornada do Herói é justamente definirmos esse foco, esse porto final que nos justifique remarmos braços e mentes por dois dias até transformarmos a distância em memória e aprendizado.

Embelezar o jardim para "pescar" borboletas
Os gregos tinham uma deusa da vitória, chamada Nike (familiar o nome?) e essa deusa era representada como uma pequena divindade alada que pousava somente sobre as palmas das mãos de dois outros deuses: Zeus - o rei dos deuses olímpicos - e Atená - sua filha e deusa da sabedoria, estratégia, guerra, justiça... Ela era representada na forma de uma deusa-fada, justamente porque eles compreendiam que ela possuía um  comportamento semelhante ao de uma borboleta, ou seja, não corremos atrás da borboleta, mas criamos as condições necessárias a que ela venha até nós.
Nike "a Vitória" sobre a mão de Atená

Quando Ulisses, com seu reino invadido por pretendentes que disputavam a mão de sua esposa por acreditarem que ele não mais voltaria dos vinte anos que passou longe de casa - dez combatendo em Tróia e mais dez perdido no mar por haver ofendido ao deus Poseidon - evitou que seu filho caísse nas chacotas dos pretendentes e "perdesse a razão", justificando que eles o assassinassem, ele não estava com medo ou sem interesse em salvaguardar sua honra pessoal ou a honra de seu filho, Telêmaco, mas observando qual seria o melhor momento para efetivamente eliminar os problemas e ameaças definitivamente. Discípulo preferido da deusa Atená, Ulisses já possuía sabedoria suficiente para perceber que reagir com fúria só lhe traria maiores problemas, de forma que buscou uma situação em que apenas os dois, juntos, pudessem eliminar todos os mais de vinte pretendentes de sua esposa... e em menos de um dia, todos estavam chacinados pelo arco de Ulisses e pelas mãos de Telêmaco.

O segundo aprendizado inicial da Jornada do Herói versa justamente sobre a noção de oportunidade, sobre como criá-la e sobre como controlar os próprios estados internos. É a partir daí que tudo tem início.

Bem vindo aos primeiros passos da Jornada do Herói

Texto por: Renato Kress
Diretor do Instituto ATENA
Criador do Treinamento registrado A Jornada do Herói

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Katábasis: Salto para a coragem

"Não há lugar na terra onde a morte não nos possa alcançar - mesmo que voltemos a cabeça uma e outra vez perscrutando em todas as direções, como numa terra estranha e suspeita... Se houvesse algum modo de conseguir abrigo contra os golpes da morte - não sou homem de recuar diante dela... Mas é loucura pensar que se pode vencê-la..." - Michel de Montaigne

Vivemos numa sociedade em que adiamos. Se antigamente éramos "o cadáver adiado que procria" (Fernando Pessoa), hoje somos uma felicidade adiada que produz. Adiamos a maturidade, a responsabilidade por nossas escolhas, projetamos nossa autonomia numa busca por um "líder" que nos salve de toda dor e sofrimento, de toda falta de sentido e toda ausência de significado e direção em nossas vidas. Vivemos no que eu gosto de compreender como a "patologia social da liderança", uma doença social contemporânea. Incapazes de dar sentido para a realidade que nos cerca, procuramos desesperadamente as asas de um "grande pai" ou "grande mãe", de uma grande idéia ou de uma grande pessoa que nos oriente, que nos traga a fugidia coesão para a nossa história pessoal, social, cultural. Adiamos nossa maturidade.


"Tudo é dor, e toda dor vem do desejo, de não sentirmos dor" - Renato Russo, Quando o sol bater na janela do seu quarto
Sidarta Gautama, o Buda, em sua leitura sobre o mundo, chega a oito grandes conclusões, o que os budistas denominam como "A Nobre Senda Óctupla". Dessas oito conclusões as duas primeiras nos interessam mais, por tratarem exclusivamente da lógica da Katábasis, parte central do treinamento da Jornada do Herói. Essas duas primeiras conclusões dizem:

1. A natureza da vida é dor.
2. Toda dor vem do desejo ignorante.

Nós sofremos enquanto vivemos, perdemos nossos avós, perdemos nossa inocência, a imagem de perfeição que temos de nossos pais, nossas certezas, nossas companhias do passado, nossos amores, alguns amigos, e isso faz parte da vida. A vida é passagem, e nessa passagem há morte, e essa morte é parte da vida e ignorarmos isso, desejar ignorantemente que a vida não passe, que alguma "felicidade absoluta" se estabeleça num fantasioso "para sempre" é o caminho mais rápido para a eterna frustração.

A morte, um ode à vida
Fênix, símbolo da vida que morre e renasce,
recria-se a partir de sua própria destruição
A vida passou, passa e passará enquanto tentamos criar castelos na areia e, através dessa compreensão, passamos não a ignorarmos a vida ou a termos uma perspectiva pessimista, mas a ter a real dimensão dos nossos castelos e a aproveitarmos profundamente cada segundo, enquanto ele acontece. Você deixaria de viver cada um dos momentos de maior felicidade da sua vida, só porque sabe que eles passariam? Ou, sabendo que eles passariam, você viveria cada um deles com a máxima intensidade possível?

Viver a Katábasis, viver a queda
A Katábasis, o mergulho nas trevas, significa o abrir-mo-nos para viver essa perda, o deixar passar tudo o que não é mais nosso, aquela carga extra de certezas velhas, de padrões de pensamentos antiquados, de crenças limitantes e desestimulantes que nos tragam para longe do que queremos ser, que nos atrasam. Viver a Katábasis é deixar passar, é dizer sim à morte, a essa morte do que já não somos, para que possamos nos tornar o que desejamos ser. A Katábasis é a dor libertadora de um profundo banho interno do qual saímos renovados, revitalizados.

A citação de Montaigne, com a qual iniciamos esse texto, só poderia ser bem fechada com uma outra citação, genial, do mesmo autor:

"Para começar a tirar da morte seu grande trunfo sobre nós, adotemos o caminho contrário ao usual; vamos privar a morte de sua estranheza, vamos frequentá-la, acostumarmo-nos a ela; não tenhamos nada senão ela em mente... Não sabemos onde a morte nos espera: então vamos por ela esperar em toda parte. Praticar a morte é praticar a liberdade. Um homem que aprendeu como morrer desaprendeu a ser escravo." - Michel de Montaigne

Morra e renasça na Jornada do Herói.

Texto por: Renato Kress
Diretor do Instituto ATENA
Criador do treinamento A Jornada do Herói

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Educação Iniciática na Jornada do Herói: Construindo metas, criando significado



O vídeo no final desta postagem é uma pequena parte de um documentário maior. Ontem, assistindo ele, pensei muito sobre os diversos sentidos de que a vida se reveste ao longo de nossa longa trajetória no planeta. Longa para nós, dentro da nossa consciência pessoal da realidade. Curta para as histórias dos povos, mínima para as vida das placas tectônicas, ínfima para o planeta, menos que um piscar de olhos para o universo.



Nuvens em tijolos
Podemos até acreditar que sonhar é colocar as idéias, os pensamentos ou os atos nas nuvens, mas a vida se preenche diariamente de pequenos sentidos à medida em que atuamos em cima dessas nuvens. Enquanto cada caminhar nosso seja um materializar de nossas expectativas, de nossas percepções e projetos nossa vida possui algum sentido, como aquele rapaz que disse que não sabe sobre o sentido da vida, mas sabe sobre o sentido da frase que diz agora e do elo de sentido dessa frase com a anterior e com a próxima e aí temos uma noção de trajetória. Então a vida se torna suportável.

As coisas mais ridiculamente simples, que damos por feitas e resolvidas, não seriam feitas sem um ato da nossa vontade orientada para aquela finalidade. A barba não seria feita, o trabalho acumularia, o estudo atrasaria, o dia passaria em vão. Muito do que damos por resolvido desde já só está "resolvido" porque o esteve antes, em nossas mentes. Nós antevemos passo a passo a resolução de cada pequena etapa do nosso dia e, assim, organizamos o caos em cosmos (ordem) e criamos sentido para cada mínimo abotoar de camisa ou, para as mocinhas, a escolha da cor do batom.



Meios e metas
Talvez quase tudo na vida seja um meio para maiores metas. Pensar num sentido da vida talvez seja enveredar por um caminho que nos fará pensar diretamente sobre o que mais temos receio de pensar: a finitude, a morte. Engraçado como ao longo da vida abandonamos essa condição imprescindível que nos diferencia dos demais animais: a consciência da morte. Existem animais que possuem comportamentos geneticamente determinados em relação à velhice e à doença, mas eles não manifestam efetivamente uma consciência de sua própria finitude, apenas vivem naturalmente o dia enquanto dia, a fome enquanto fome, o sono, o calor e o frio enquanto dados da natureza, do presente, do agora.




O inevitável que evitamos
Pensarmos em um sentido para a vida implica pensarmos na finitude dela, pois somente podemos dar sentido - dar significado - a algo que já abarcamos por completo (mesmo que apenas em nossa imaginação). Dar um significado para a vida é pensá-la através da morte. O que de mim fica quando eu me vou? O que deixo para os que conviveram comigo ou até mesmo para a humanidade? Talvez por isso seja tão complicado darmos um sentido para a vida, porque planejamos cuidadosamente nossa trajetória mental afim de que ela passe o mais longe possível do curso natural da vida, que é a morte. Talvez dar um sentido para a vida na nossa sociedade contemporânea seja tão impossível quanto imprescindível, justamente porque nos apegamos a essa ilusão de permanência, essa ilusão da qual só aceitamos abrir mão em prol de uma ilusão mais sedutora, a meta.

A doce liberdade que nos traz responsabilidade
Se somos todos humanos, falíveis e defectíveis, podemos assumir nossa limitação infantil em resguardarmo-nos entre cosméticos e cirurgias, ou entre carros e ternos de forma mais consciente, mais orientada em relação às nossas metas maiores. Ou à meta maior, do maior sentido de que dotaremos nossas vidas. A grande magia do sentido da vida talvez seja justamente a liberdade que temos de dar a ela o sentido que melhor nos identifique. Por isso no treinamento da Jornada do Herói, a primeira etapa é uma determinação explícita de nossa meta primária ali, do que pretendemos efetuar com as ferramentas e os recursos apreendidos naquela pequena jornada, impulsionadora de outras maiores jornadas em nosso futuro.

O que não vale, nessa seríssima brincadeira toda, é viver escondido entre anacronismos, encolher nossos ombros, nossa vida, nosso potencial e significado em almofadados ambientes infantis, sejam eles o útero macio do nosso ego inflado, de ideologias religiosas, políticas ou alimentares, ou as mais diversas propagandas que prometem freiar o tempo ao nosso redor. A vida precisa de um significado e só há uma pessoa que pode dotar de significado a sua vida. Se estiver na dúvida passe num espelho e procure, esse indivíduo se esconde por lá.

Quem é o protagonista da sua biografia?

Texto de: Renato Kress
Diretor do Instituto ATENA
Criador dos treinamentos A Jornada do Herói e A Arte da Guerra Oriental


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Palestra on line sobre o Curso "A Jornada do Herói"


A Palestra on-line sobre o curso "A Jornada do Herói" ocorreu nessa terça feira 24 e teve mais de 50 pessoas assistindo ao vivo.

Numa votação de zero a cinco estrelas, levamos as cinco para casa!

Tivemos o prazer de sermos convidados para ministrar o curso no Espírito Santo, São Paulo, Colômbia e até Portugal!

Contamos mais de dez mitos de deuses gregos, entre eles Atená, Dioniso, Éris, Nike e muitos outros...

Foi maravilhoso poder ter essa receptividade e carinho ao meu trabalho e paixão. Obrigado a todos!

Para ver a palestra na íntegra, clique no link abaixo e, dentro dele, em "View Recording"
http://www.wiziq.com/online-class/548594-a-jornada-do-her%C3%B3i-com-renato-kress



Informações sobre o curso:
http://www.institutoatena.com/jornada.html

16 horas de curso
2 sábados
Material único: Apostila 100% ecológica, CD com material extra-classe. Materiais exclusivos para a realização das dinâmicas.

Contatos, perguntas, inscrições:
contato@institutoatena.com

Atreva-se a ser o Herói da sua Jornada!

A Jornada do Herói: Katábasis, o mergulho nas trevas interiores

Eu sou aquilo que vai
Se o Renato de uma década atrás encontrasse o Renato de agora provavelmente teria um susto. Em muitos aspectos sou muito menos do que esperava ser aos vinte e oito anos e em outros aspectos sou muito mais. Há sempre uma construção nossa, uma perspectiva de que iremos desenvolver determinados projetos, faremos determinadas idéias se materializarem em nossas trajetórias, movimentaremos essa ou aquela idéia, nos casaremos, teremos mais tempo para isso, menos para aquilo...
Estamos continuamente nos criando e recriando, lentamente adquirindo e descartando pequenas partes de pertencimento, transformando essência intrínseca em anuência extrínseca e vice versa. Viver é recriar-se e recriar-se é definir o que queremos que nos acompanhe de agora em diante e o que dispensamos, aquilo que "já deu o que tinha que dar", que já "perdeu o sentido". Determinados relacionamentos, profissionais, afetivos, pessoais, sociais, são necessários para que aprendamos essa ou aquela maneira de encararmos o mundo, de vivermos essa ou aquela experiência específica. É assim que - os que observam e refletem - adquirem experiência.


Para quem não está de olhos bem abertos é possível viver toda uma experiência humana, toda uma vida, acumulando um mínimo de aprendizado e maturidade. É possível e mesmo esperado, dentro da cultura de medo em que somos submersos pela mídia contemporânea: medo de não pertencer, de não ser bom o suficiente, de não ser "líder", pró-ativo, reativo, agressivo, bem sucedido etc. Mas será que vale a pena?

Tempo Forte, tempo de criação
Começo a observar essas possibilidades e trabalhar com a idéia de "tempo forte" do romeno Mircea Eliade, um historiador romeno das religiões. Segundo ele no "tempo forte" é que todas as realidades são criadas, estruturadas, e é a partir do "tempo forte" que nós dotamos a vida de sentido.

Quando sofremos uma perda grande em nossas vidas, seja uma pessoa querida, uma grande verdade na qual nos alicerçávamos ou uma determinada situação que julgávamos como "resolvida", reestruturamos os valores pelos quais pautamos nossas vidas. Quando percebemos que nossa lógica de pensamento e ação não está seguindo por um caminho que nos satisfaça às aspirações, repensamos as linhas mestras que nos levaram até ali. É então que o "tempo forte" se manifesta. Através de uma grande dor interna que desencadeia uma grande quantidade de energia, com um potencial absurdo para a mudança. É aí, nesse instante que reside "o tempo forte".

O Bardo, tempo de oportunidade
O budismo tibetano possui um conceito denominado "bardo" que o monge Sogyal Rimpoche explica no seu Livro Tibetano do Viver e do Morrer da seguinte forma:
"Os bardos são oportunidades particularmente poderosas para a liberação porque são, segundo nos mostram os ensinamentos, certos momentos muito mais poderosos que outros, e muito mais carregados de potencial; tudo o que se faz neles tem um efeito crucial e de longo alcance. Penso num bardo como num momento em que se marcha para a beira de um precipício; tal momento, por exemplo, ocorre quando um mestre introduz um discípulo à natureza essencial, original e mais profunda da mente..."

A Jornada do Herói e o "Mergulho nas Trevas"
Dentro do curso A Jornada do Herói, criado e patenteado pelo Instituto ATENA, temos uma técnica denominada "katábasis" que é justamente essa idéia de, dentro de um ambiente sob controle do aluno e dentro de suas capacidades e perspectivas, operar a criação de um "tempo forte", de um "bardo", no qual teremos a oportunidade de desenvolver as mudanças necessárias a que levemos a vida que desejamos levar.

É um momento em que agradecemos aos nossos "grandes opositores" aos nossos "inimigos internos" por todas as suas intenções positivas, aceitando o que nos cabe e descartando o que não mais condiz com a nossa fase da vida. É a oportunidade de agradecer aos aprendizados, tomar consciência de nós mesmos e deixarmos morrer tudo aquilo que "já não mais nos pertence" mas que por alguma desatenção interna carregávamos como fardos desnecessários, quando algumas grandes verdades da infância ou adolescência podem ser repensadas e reestruturadas.

É sinceramente prazeroso ver muitos heróis, cada qual em sua jornada, se desfazendo de grandes verdades que já não lhes cabem hoje em dia, sempre mantendo a intenção positiva de "proteção", "respeito e cuidado para consigo mesmo", e outras que vierem a ser percebidas e reestruturando essas intenções positivas com o conhecimento que possuem de hoje. Porque o Renato de dez anos atrás não saberia lidar com os desafios que motivam o Renato de agora.

A arte do mergulho interior, a Katábasis
A Katábasis é uma técnica desenvolvida misturando programação neurolingüística, estados alterados da consciência, hipnose, xamanismo e estudos antropológicos acerca de estados iniciatórios e "tempos fortes" de diversas culturas e narrativas mitológicas mundiais. Uma técnica criada e patenteada exclusivamente para ser ministrada no curso A Jornada do Herói.

Por que mergulhar?
Como já foi dito antes é perfeitamente possível viver toda a vida sem repensarmos nossas atitudes e perspectivas em relação a nós mesmos. Sem reestruturarmos nossas certezas, nossas crenças, nossas perspectivas e vivências. Mas viver a vida assim, carregando as certezas de uma infância, de uma adolescência até mesmo do início da idade adulta, é corrermos o risco de nunca assumirmos a responsabilidade sobre nossas crenças, sobre nossas ações no mundo. É uma vida infantil e sem mérito. Assumir uma postura no trabalho porque uma revista ditou a nova moda gerencial, tratar meu filhos assim ou assado porque o meu pai tratava, agir dessa ou daquela forma porque "assim me foi passado". As tradições e as formas de levarmos a vida estão aí para serem conhecidas, nunca para substituir nossa autonomia e responsabilidade sobre nossos atos, escolhas e muito menos sobre a vida que levamos. Que eu conte histórias para meus filhos porque meu pai contava histórias para mim, claro, mas que eu escolha contar conscientemente cada uma delas, que seja parte de mim, escolhas responsáveis e conscientes, para que o mérito dele ou do avô do avô dele (quando criou essa "tradição familiar") não seja deixado para trás. Do contrário a própria "tradição" perde o seu sentido.

"Se nos recusarmos a aceitar a morte agora, enquanto ainda estamos vivos, pagaremos caros por isso no correr de nossas vidas, no momento da morte e depois dela. Os efeitos dessa recusa vão arruinar essa vida, e todas as outras que virão. Não seremos capazes de viver nossas vidas plenamente; ficaremos aprisionados no exato aspecto de nós mesmos que deve morrer. Essa ignorância nos despojará do elemento principal na nossa jornada para a iluminação, capturando-nos para sempre no reino da ilusão..." - Sogyal Rimpoche, O Livro Tibetano do Viver e do Morrer.

Mergulhar na Katábasis é reduzir ao mínimo denominador comum. Que, em linguagem da programação neurolingüística, é sempre reduzir à intenção positiva. A Katábasis é a forma de encontrar o alicerce dessa intenção positiva e ser responsável pelo que a partir dela será criado. É um primeiro passo para sermos os protagonistas de nossas próprias histórias.

Artigo por: Renato Kress
Diretor do Instituto ATENA
Criador do curso A Jornada do Herói

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Real Estratégia: Sun Tzu, cases de sucesso e auto-ajuda contemporânea

Sempre que caminho por entre as livrarias não me furto à oportunidade de vasculhar os livros de programação neurolingüística (pnl), de coaching, de mentoring. Deveria ficar a critério de um bom biblioteconomista mas acredito que fique a cargo dos próprios funcionários a alocação dos livros. Os de pnl e coaching acabam ficando próximos ou mesmo em três seções: auto-ajuda, administração e psicologia. Bem, tanto a pnl quanto o coaching são ótimas ferramentas que podem auxiliar nos três processos: resolução de questões e angústias pessoais, administrar metas e alcançar objetivos e conhecer-se melhor para viver melhor. São áreas correlatas e é saudável que sempre que possível, trabalhem em uníssono.

Observando os livros que ladeiam os de pnl e de coaching pude notar o excesso de livros com 10 passos, 7 passos, 20 hábitos, 30 técnicas etc para ser mais assertivo, próativo, um vendedor de sucesso, um empresário de sucesso, para resolver isso ou aquilo etc e essas publicações me preocupam.

Sistemas Complexos

Me preocupam não porque esses 10 passos, 20 hábitos ou 30 técnicas não sejam funcionais, muitas vezes o são e são muito até! Tudo depende, é claro, da expectativa com que se adquire tais livros e da forma como se lê essas obras. Quem trabalha com teoria social sabe o quão penoso, inglório, injusto e decepcionante é tentar adequar a sociedade a uma teoria sobre essa sociedade. O mais sábio é sempre sacrificar toda ou pelo menos uma parte da teoria e não querer que a realidade se encaixote para caber nesse ou naquele modelo - porque isso nunca acontecerá. Sociedades são sistemas vastos, complexos e dinâmicos demais para caber em qualquer teoria. O mesmo se aplica ao ser humano.

Indivíduos únicos, circunstâncias únicas

Cada ser humano tem uma representação da realidade diferente. Um pintor sabe muito mais cores e nuances do que o escritor desse texto, com toda certeza. Um cozinheiro conhece muito mais filigranas e teores de sabores que a maior parte de nós. Um índio vive toda a sua vida num ambiente em que nós morreríamos em questão de dias. Seres humanos são diferentes, são frutos de experiências de vida diferentes.

Percepções e pnl

Não me preocupa a intenção do escritor do livro - que elencou um modelo interessante, inteligente talvez mesmo revolucionário de alcançar um determinado objetivo - não me preocupa porque é disso que se trata a pnl, por exemplo. "Modelar", criar um modelo baseado na conduta intrínseca (valores, crenças, identidade) e extrínseca (ambientes, comportamentos, habilidades) de um indivíduo e usar esse modelo para atingir uma performance maior que a que ele atingia anteriormente.

A intenção do leitor

Me preocupa mesmo é a forma como compramos essas obras, como muitas vezes acreditamos sinceramente que a aplicação de um modelo baseado num indivíduo que alcançou um determinado sucesso (suponhamos a criação de um "Modelo Eike Batista" por exemplo) nos faz crer que teremos os mesmos resultados que os alcançados pelo indivíduo modelado. Isso é irreal. As circunstâncias da vida de um Schumacher e o talento de um Schumacher são pessoais e intransferíveis, o que não quer dizer que eu não vá dirigir melhor se modelar o Schumacher, com certeza irei. Mas nunca como ele.
O que você espera que
aconteça ao terminar de
ler um livro como esse???

O problema nos livros com 10 passos, 20 hábitos ou 30 técnicas é que muitas vezes o leitor não tem uma meta bem definida (literalmente não sabe o que quer) e, quando chega ao final do livro, tendo aplicado melhor ou pior alguns dos seus preceitos, fica genuinamente decepcionado ao olhar ao redor e não estar efetivamente "no cockpit" ou balançando uma garrafa surrealmente grande de champagne, vestindo um macacão todo tatuado de empresas e ouvindo as pessoas saudando ele.

Nenhum "case de sucesso" foi criado baseado em outro "case de sucesso"

Quando não temos uma meta bem definida, quando não sabemos o que queremos, nenhum modelo será bom o suficiente, nenhum hábito, nenhuma técnica, nada será eficaz. Mas além disso há também outro fator a ser considerado: a especificidade da realidade à qual aplicamos aquele modelo.

Só sistemas fechados e simples
comportam soluções únicas!
Trabalho com empresas e empresários e muitas vezes ficamos um bom tempo tendo descobertas acerca dos "cases de sucesso". Muitas vezes vejo eles lendo os "cases" como leitores inocentes de auto-ajuda, como se pudessem aplicar, por exemplo, a estratégia da Nike ao problema da Grendene. A Nike tem especificidades, tamanho, estruturas de produção e logística que a Grendene não tem e as "estratégias" da Nike dificilmente se encaixarão nas metas da Grendene. São ambas empresas do ramo de calçados, mas a semelhança nasce e morre aí.

Um "case de sucesso" deve ser lido para percebermos como uma empresa com problemas utilizou os recursos de que dispunha para resolver a questão ou até para alavancar o seu desenvolvimento através dessa situação, mas nunca com a expectativa de aplicarmos diretamente aquele "case" ao nosso caso particular.

Sun Tzu, no capítulo seis da obra "A Arte da Guerra" diz:
"Todo mundo conhece a forma que resultou em vencedor, porém ninguém conhece a forma que assegura a vitória. Em conseqüência a vitória na guerra não é repetitiva, senão que adapta sua forma continuamente. Determinar as mudanças apropriadas significa não repetir as estratégias prévias para obter a vitória. Para consegui-la, posso adaptar-me desde o princípio a qualquer formação que os adversários possam adotar."
Esse texto, escrito a 2500 anos, já nos alertava para a facilidade em perceber o vencedor depois da batalha vencida: "Todo mundo conhece a forma que resultou em vencedor", e para a impossibilidade de saber uma única forma que resulte na vitória: "...porém ninguém conhece a frma que assegura a vitória.", mas o mais importante é sempre a noção de que a vitória não se dá por modelos vitoriosos - nenhum "case de sucesso" foi baseado inteiramente em outro "case de sucesso" - e sim pela capacidade dos indivíduos envolvidos na tarefa de adaptarem-se às circunstâncias reais dadas no momento da "batalha".

Adaptação e vitória

Não estamos aqui apenas porque soubemos lutar bravamente com paus e pedras de 5000 anos até hoje, estamos aqui porque as situações mudaram e nós soubemos nos adaptar. Falando em adaptação, é bom que ela seja sempre mediada por nossas circunstâncias exteriores e orientada para nossas metas. São os dois focos da nossa atenção "no calor da batalha". Um célebre ocidental que estudou muito aprofundadamente acerca da adaptação, percebeu a importância dessa mesma atenção:

"A atenção é a mais importante de todas as faculdades para o desenvolvimento da inteligência humana." - Charles Darwin

Texto de Renato Kress
Diretor do Instituto ATENA
Criador dos Treinamentos A Arte da Guerra e A Jornada do Herói